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A mudança não virá do sistema nem da rua... mas das consciências

Segunda-feira, 28.02.11

 

Esta reflexão sobre a mudança inevitável vem na sequência da anterior: o sistema está a reorganizar-se. E baseia-se igualmente em deduções. 

Como é óbvio, a mudança não virá do próprio sistema, até porque o sistema se está a preparar para neutralizar todo e qualquer movimento que possa perturbar o seu equilíbrio e estabilidade. Como? Há muitas formas.

Se ontem ouviram o Professor Marcelo a comentar a possível manifestação de jovens descontentes a 12 de Março, podem já perceber uma das formas, perfeitamente enquadrada na lógica corporativa do sistema: Quem são eles? São essencialmente jovens... licenciados... desempregados... ou em estágio... um é ex-JS outra ex-BE... Descontentes... querem fazer parte da solução... Como é? Querem formar um partido?, um movimento?, uma associação?

Esta é a lógica corporativa: identificar os descontentes, perceber o que querem, para os tentar absorver no sistema, se possível, e assim neutralizar. Senão vejamos: Lembram-se quando surgiu o PRD com 18%, era muita gente descontente, mas logo a seguir Cavaco Silva conseguiu absorver esses descontentes para o PSD... não sei se repararam mas o Professor Marcelo imitou o ruído de quem suga por uma palhinha... os votos dessa gente toda. Referiu-se a mais alguém que sugou os votos de mais gente descontente, mas já não me lembro.

 

Sim, é até muito possível que o sistema consiga sugar, absorver e neutralizar o descontentamento dos jovens, até porque os próprios foram formatados na cultura corporativa. O discurso da mudança não pode ser corporativo: uma geração, direita, esquerda, uma profissão, uma camada social, etc. etc. O discurso da mudança é universal, abrange todos os cidadãos. 

 

Também tenho meditado muito nisto: estes movimentos de rua, já em desespero, onde podem levar? Estou convicta que as verdadeiras revoluções são interiores e discretas. Qualquer mudança consistente e consequente tem de se basear numa nova perspectiva e numa nova atitude de cada cidadão. Sim, a verdadeira mudança é interior, na consciência de cada um.

 

E no entanto... o primeiro sinal da mudança possível veio de um encontro feliz entre o Papa e o povo português. Poucos viram essa confirmação cristã de uma cultura milenar. Poucos valorizaram a profundidade do encontro. Mas nada ficou na mesma: o Papa reencontrou a sua energia vital, e a sua liderança na comunidade cristã ganhou um novo fôlego; nós reencontrámo-nos com a nossa raíz cultural cristã, de valores sólidos e duradouros.

 

Muitos foram os anos de domínio e de fracturas e machadadas culturais, muitos foram os anos de descaracterização e desertificação territorial que ainda continua, muitos foram os anos de artificialismos e pedagogias do ódio, muitos foram os anos de desprezo por tudo o que é verdadeiro e genuíno na nossa cultura cristã, mas esse encontro veio confirmar que a chama original está viva.

 

Somos essencialmente cristãos nos valores e na atitude. Somos comunitários. Somos afectivos e generosos. E se nos tornámos desconfiados do poder, tivemos boas razões para isso: falam outra linguagem, outra cultura, que nos tentaram impor por mais de dois séculos, uma cultura materialista, fria, impessoal, baseada em leis e em contorcionismos artificiais para proteger os seus membros. Trata-se de uma organização que se colocou indevidamente e ilegitimamente no patamar do poder político, social, económico e cultural.

 

A partir do momento em que nos reencontramos com a nossa verdadeira natureza, adquirimos uma nova energia vital, deixamos de nos sentir isolados e vulneráveis, sabemos quem realmente somos, essa é a nossa força. A da consciência. A dos valores. E essa é a mudança possível, a restauração da nossa cultura essencial, das nossas raízes cristãs, da nossa cultura comunitária da amabilidade e da universalidade.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:52

Deduções por falta de acesso à informação fidedigna: o sistema está a reorganizar-se

Sábado, 26.02.11

 

Gostaria de clarificar em primeiro lugar os Viajantes que por aqui passam que me tenho de basear em deduções, uma vez que não tenho acesso a qualquer informação fidedigna. E tem sido mais ou menos assim desde que iniciei esta viagem pela blogosfera. 

De referir - e isto é muito importante, pelo menos para mim -, que se não fosse a internet em geral e a blogosfera em particular, não teria sequer conseguido efectuar estas simples deduções. É certo que poderia tropeçar num ou outro livro, mas o processo teria sido mais lento.

É que a simples observação do que se passa a nível político, económico, social e cultural, não nos teria fornecido toda a matéria de análise. É necessária a troca de ideias, experiências diversas, percursos diferentes. E não é na informação oficial que vamos encontrar qualquer informação sobre a realidade, aí apenas encontramos a ficção muito bem preparada para o consumo de massas.

 

Esclarecido este ponto, hoje voltamos ao centro da questão essencial: o sistema. A organização política, económica, social e cultural, que domina a situação, e há mais de 200 anos. Um dia destes irei ensaiar uma dedução histórico-cultural à procura da origem do actual sistema dominante. Mas hoje o que me interessa essencialmente é propor uma perspectiva, talvez ousada, mas ainda assim baseada em deduções lógicas e plausíveis: o sistema está a reorganizar-se.

Reorganizar-se: "mudar para ficar tudo na mesma", já conhecem a expressão, não é? Reorganizar-se: juntar as hostes, de todos os quadrantes do sistema, unir esforços e criatividades, para criar novas fórmulas a apresentar ao cidadão comum, aquele que o sustenta, para o convencer a continuar a sustentá-lo. Reorganizar-se: manter-se no poder a todo o custo, manter os seus privilégios de elite privilegiada, elite que se auto-nomeou e assim manteve no patamar certo, que se catapultou há muito tempo e não quer perder as mordomias.

 

É certo que o sistema já controlou as áreas-chave do poder político, económico, social e cultural. Senão vejamos: 

- Justiça: já está;

- Ministério Público: já está;

- Serviços Secretos: já está;

- Informação (jornais, televisões): acabou recentemente de neutralizar todos os canais, da RTP à TVI;

- Educação: actualmente a formatação das novas gerações está garantida;

- Banco de Portugal, Autoridade da Concorrência, etc. etc. : está, está, está.

 

Então o que é que falta? Pois aí é que está. Baseando-se desde 74 numa suposta democracia, depende do voto dos eleitores nos partidos sentados numa Assembleia da República. Olha que chatice! Ainda não há uma forma de evitar esta participação do cidadão comum no equilíbrio e estabilidade da sua vidinha confortável. 

Como é que o sistema vai dar a volta a isto? Fácil. Vai apresentar ao eleitor fórmulas aparentemente renovadas e fresquinhas (isto é, inocentes e puras), assim tipo um PSD próximo do cidadão e distanciado do PS, ou mesmo tornar-se um pouco mais audaz e lançar-se numa proposta de alteração da Constituição Portuguesa para introduzir a fórmula "semi-presidencialismo", porque não?, ou ainda mesmo mais audaz, se os tempos o apontarem, mudar de regime e voltar a uma "Monarquia Constitucional", a garantia de mais estabilidade (só espero que a Família Real tenha o discernimento de não alinhar no sistema. É que o falhanço da Monarquia Constitucional deveu-se afinal ao sistema. Mas isso fica para analisar de uma próxima vez).

 

Estamos ainda no plano das deduções, certo? Bem, vemos o sistema a reorganizar-se por se sentir ameaçado. Porquê? Porque já se tornou visível, e o pior que pode acontecer a um sistema ilegítimo é ficar visível. Hoje já é evidente para o cidadão comum que, enquanto sofre as dificuldades todas de uma "so called" crise internacional, há uma elite política, económica, social e cultural que vive confortavelmente à sua custa, de forma ilegítima. E que a "so called" democracia que lhe prometeram se revelou uma farsa. Sim, o cidadão comum sente-se enganado, ludibriado. É só ouvir as Antenas Abertas.  

Se o cidadão comum tem razão para agora se vir lamentar? Em parte sim, em parte não. Sim, porque foi de facto enganado e ludibriado. Não, porque quis ser ludibriado e enganado. Quis acreditar na ficção, mesmo que matematicamente impossível. Única atenuante: a informação oficial alimentou a ficção nos jornais e nas televisões.

 

Veremos, pois, nos próximos tempos, o PSD a apresentar-se ao eleitor, limpinho de responsabilidades políticas nos PECs e nos OEs mais recentes. Com um líder relativamente jovem e apresentável, tipo Ken engravatado, discurso vazio, generalista e pouco elaborado, mas o que importa é a imagem e a voz bem projectada, afinal foi a solução de marketing do PS quando lançaram o actual PM.  

Este PSD será a grande aposta do sistema por agora. As sondagens já o anunciam. O Presidente (do sistema) também está prestes a ser renomeado oficialmente. Está tudo preparado para que nada corra mal. Garantir o sistema no poder, a todo o custo. 

E o que pode correr mal? O cidadão comum não se deixar embalar pelas propostas do sistema. O cidadão comum acordar para a sua realidade e não querer continuar a sustentar esta organização parasita e ilegítima. Já há sinais concretos de que esse despertar para a realidade já se iniciou. 

Até ver, só o CDS percebeu esses sinais, mas o CDS não tem dificuldades de comunicação com o cidadão comum, desde sempre interpretou as suas necessidades e prioridades.

 

E aqui está uma interessante análise possível: Como distinguir hoje quem fala pelo sistema e quem fala pelo cidadão comum, pelo país real?

Só uma sugestão de um teste que penso será fiável: Quem segue os valores cristãos na sua vida, de forma coerente e consistente, não pode servir e/ou aderir a um sistema ilegítimo e injusto.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Tempos estranhos...

Terça-feira, 22.02.11

 

 

Tempos estranhos nos aguardam...


Fazemos parte desse grande plano

e nem disso temos consciência


Queremos controlar tudo

mas percebemos que também somos impelidos

a pegar no nosso papel


O que pensávamos certo esboroa-se

quem julgávamos próximo revela-se distante


Depois de anos distorcida, a realidade

coloca-se na posição certa

cada peça no seu lugar

cada cena ganha sentido

 

Depois da grande agitação

o silêncio universal

sobrepõe-se a todas as coisas


 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:39

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

Sábado, 12.02.11

 

 

Olho para trás e já não te vejo

Quem eu vejo é um reflexo criado por mim

 

O caminho está deserto de novo

mas não de uma forma desagradável

O sol ilumina tudo como numa paisagem irreal

 

Vejo pela primeira vez as marcas dos meus passos

e estranho a sua terrível consistência

Sempre gostei de insistir nos mesmos erros

 

Acordei de um sono longo

e já não poderia respirar nessa ficção


Estes são os efeitos secundários da verdade

uma vez vislumbrada, nada a poderá substituir

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:28

Há 7 anos que o país vive em crise política

Sábado, 12.02.11

 

Na verdade, o país vive em crise política há 7 anos. De certo modo, podemos dizer que já não sabe o que é viver na normalidade. Normalidade seria ter à frente da gestão política responsáveis adultos, digamos assim, com sentido de responsabilidade.

Portugal viciou-se em crise política, adaptou-se, conformou-se. Só assim se explica insistir em apostar na mesma receita tóxica. E de tal modo se adaptou e conformou que nem estranha os tiques doentios dos actuais gestores políticos. Nem sequer tem energia para desenvolver uma saudável alergia. Não, desiste, baixa os braços, volta as costas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:04








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